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"«No
1.º dia do mez de maio de 1808 (Domingo do Bom Pastor)
sobre a madrugada sentio-se um grande terramoto e pelas 11 horas
e meia outro maior seguido da estrondos distantes; o ar escureceu-se
com espessas nuvens de fumo para a parte do nordeste, e assim
continuou até a noite em que se avistaram copiosas labaredas
de fogo que se elevavam da ilha de S. Jorge.
Tocou-se logo a preces em todas as egrejas e o povo espavorido
correu a implorar a misericordia divina para com aquelle infeliz
povo.
Continuaram os terramotos com estrondos nos dias seguintes e
o fogo cada vez mais copioso; então no dia 7 reunio-se
a camara da Horta com os principaes e resolveram mandar uma
lancha áquella ilha com algum socorro e uma carta consolatoria
á sua camara offerecendo hospitalidade ás pessoas
que se quizessem refugiar nesta ilha para o que lhes mandariam
barcos.
Partio com effeito a lancha e brevemente voltou trazendo o ouvidor
ecclesiastico d'aquella ilha e mais alguns padres; foram depois
chegando algumas familias e para o Pico tambem veio o doutor
juiz de fóra e mais algumas pessoas. (
)»
(Macedo- Hist. Das Quatro Ilhas, Tom. I, p.300.)
Carta da camara da Horta á das Vellas por
ocasião do vulcão
Ill.mos
Senrs. juiz, e mais officiaes da camara da villa das Vellas.
A afflição em que V. S.as se achão com
todo esse povo pelo flagello do fogo, que a ira de Deos nesse
paiz suscitou, muito nos tem consternado; estamos bastante solicitos
nos modos de diminuirmos o incomodo de V. S.as como povo nosso
visinho, e offerecemos todos os nossos officios tendentes a
este fim. A imploração da misericordia divina
é o maior asylo a que nos podemos refugiar, e o que desde
o primeiro dia nesta ilha se praticou, porém é
necessario tambem fazer evitar todo o perigo; pois que segundo
a frase do Espirito Santo devemos fugir delle; por tanto se
se quizerem transportar para esta ilha faremos apromptar os
barcos e lanchas que nos fôr possivel, ou qualquer outro
auxilio, que necessario fôr, e que em nosso poder estiver
pois nos devemos mutuamente auxiliar. Os terriveis progressos
que do incendio temos observado, é que nos fez decidir
a pôr em execução esta lembrança
que á mais tempo occorreu, mas que pareceu desde logo
se não faria necessaria. Este nosso aviso e offerecimento
efficaz rogamos a V. S.as o queiram partecipar ás outras
camaras collegas e somos de V. S.as attentos veneradores e visinhos
amigos. Camara da Horta 7 de maio de 1808. Assignaturas.
Macedo - loc. Cit., p. 542)"
in ARQUIVO DOS AÇORES volume V, pag. 446.
Edição da Universidade dos Açores
Ponta Delgada - 1981
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